Entrevista Com Christine Aubry, Especialista Em Agricultura Urbana

Christine Aubry, você é engenheiro de pesquisa no INRA / AgroParisTech em Paris, fundou a equipe Agriculturas Urbanas no UMR SAD-APT, você é hoje o especialista em agricultura urbana.

Christine Aubry, engenheira de pesquisa do INRA / AgroParisTech em Paris, Urban Agricultures of UMR SAD-APT,

Como você chegou a essa escolha de especialização?

Dada a diversidade da agricultura urbana (ver abaixo) Eu não vou reivindicar ser o especialista, felizmente existem outras pessoas que estão interessadas e têm conhecimentos sobre o assunto. Como eu cheguei lá? exercícios Finalmente bastante banais em relação aos meus colegas pesquisadores ou professores de pesquisa do mundo: a partir de uma experiência em um país do sul, ou seja, Madagascar.

Tive a sorte de estar em miss√£o por tr√™s anos entre 1999 e 2002 para trabalhar em um assunto diferente (desmatamento em floresta prim√°ria) e vivendo em Antananarivo, a capital, foi o suficiente para abrir olhos e virar a cabe√ßa para ver a agricultura em toda a cidade, de fato, como em muitos outros pa√≠ses do sul, onde a maioria dos produtos frescos (legumes, ovos, leite, etc.) s√£o produzidos na cidade ou em seus arredores muito pr√≥ximos. Ent√£o eu tive com colegas malgaxes (em agronomia e geografia, em particular) e um colega de CIRAD (Centro de Coopera√ß√£o Internacional em Pesquisa Agron√īmica para o Desenvolvimento) querem subir um projeto de pesquisa aplicada √† agricultura nesta cidade: funcionou de 2002 a 2008 e foi seguido por outros dois!

Quando voltei para a França em 2002, continuando assim que o projeto remoto eu comecei a olhar mais atento para a agricultura no momento em vez "pereceram" da cidade, e em torno de Paris para observou que, com a crescente demanda de cidade em circuitos de natureza e curtas da, agricultura peri-urbana urbana para se tornar parte, na verdade, já que a maioria urbana viu a explosão de jardins associativos, em seguida, uma coisa levou a, cheguei a estar interessado em todas as formas emergentes de agricultura, e ao lado da cidade e, portanto, para formar em 2012 uma equipa de investigação dedicada.

Hoje, a agricultura urbana assume formas diferentes, como você a definiria?

Mais uma vez, a n√≠vel internacional, apesar da diversidade de defini√ß√Ķes, h√° basicamente um consenso de que √© a agricultura urbana, em ou perto da cidade, que est√° em estreita rela√ß√£o funcional com a cidade (incluindo mas n√£o s√≥, para o fornecimento de alimentos), e compartilha com recursos sobre a forma como a concorr√™ncia (incluindo o terreno), mas tamb√©m de complementaridade (trabalho). H√° tamb√©m um consenso sobre o fato de que √© muito diversificada, nas suas orienta√ß√Ķes (profissional, n√£o profissional), sistemas t√©cnicos (full ch√£o para v√°rias formas de acima do solo, ao ar livre ou n√£o, com o controlo do meio (incluindo a ilumina√ß√£o) mais ou menos forte, e as suas fun√ß√Ķes para a cidade: o conceito de multifuncionalidade √© muitas vezes ligada hoje para a agricultura urbana, mesmo se todas as suas formas n√£o s√£o altamente multifuncional e se multifuncionalidade tamb√©m pode existir para uma agricultura "n√£o urbana".

Alguns pensam que todos os urbanos projetos de agricultura (fazendas peri-urbanas de permacultura, jardins associativos, compartilhados, jardins de telhado...) são uma moda passageira de bobos parisienses: o que você objetar?

Ou seja, quando um sevilhano desempregados, Grego, Português ou francês, que cultiva na cidade para comer e / ou para conhecer pessoas e lutar contra o isolamento, não é um bobo, é feito de agricultura urbana e não um pouco (em Lisboa 7 de 32 hectares de espaços verdes foram transformados pela cidade em jardinagem associação reservada para desempregados de longa duração e famílias muitos pobres).

Quando o n√ļmero de projectos de renova√ß√£o urbana incluir um ou mais projetos de agricultura urbana, n√£o s√≥ para os ricos ou "play", mas para fazer futuro mais habit√°vel no futuro da cidade ou bairro para todos.

Que lidam com crises agrícolas que o país enfrenta, um (entre muitos, eu espero!) Solução para o valor de captura agriculteurs.res é que eles se tornam "mais urbano" na produção, métodos de produção e canais de marketing.

E que, finalmente, participar da agricultura na cidade ou seus arredores para reduzir as ilhas de calor urbano (ainda temos que demonstrar quais s√£o as formas mais eficazes para fazer isso...) se tornar√°, nos anos quem vem, uma necessidade.

Como e de que maneira a cidade e esta forma de agricultura podem se unir e se complementar?

Como h√° muitas formas de agricultura urbana e, de fato, cidades diferentes, as liga√ß√Ķes, isto √©, as fun√ß√Ķes que a agricultura urbana pode desempenhar para as cidades podem ser muito vari√°veis. Em termos de alimentos, √© bastante certo que na maioria das nossas cidades francesas, a agricultura intra-urbana permanecer√° confidencial em termos de quantidades produzidas, contra o seu papel educacional em alimentos ou experimental para tentar novas produ√ß√Ķes j√° √© e ser√° cada vez mais importante.

Algumas formas de agricultura urbana tamb√©m podem ter pap√©is ambientais muito importantes: por exemplo, em Nova York, a agricultura na cobertura √© remunerada pela cidade por seus efeitos no recorte dos picos de escoamento da √°gua. chuva, e assim √© uma infra-estrutura que, como √© dito localmente, "evita o aumento do tamanho dos tubos". Mas eu acredito que o elo mais forte √© educacional: quando n√≥s, urbanos, temos tr√™s ou quatro gera√ß√Ķes de diferen√ßas com a agricultura, (re) aprendemos como um ciclo de cultura, como uma galinha, uma abelha, como pastoreio de uma ovelha, √© uma fun√ß√£o importante para nos reconectar √† natureza e √† produ√ß√£o de alimentos e para nos fazer (re) conhecer e respeitar os agricultores.

A acentuada tend√™ncia de produtos sazonais, se poss√≠vel org√Ęnicos, curtos-circuitos, AMAP, bem como o desenvolvimento de dieta vegetariana, ou mesmo vegana, desempenha um papel desencadeador no desenvolvimento de projetos agropecu√°rios urbano e o que esperar?

Claramente a agricultura urbana como a vemos hoje √© uma menina tanto da necessidade de encurtar dist√Ęncias (geogr√°fica e cultural) com comida, como de um certo desafio pol√≠tico-social do sistema alimentar. atual, julgado em particular sobre seu consumo de energia, sua industrializa√ß√£o e alguma forma de desrespeito √† vida, como muito critic√°vel.

Claramente, tamb√©m, a agricultura urbana n√£o pode satisfazer sozinhas essas novas necessidades, mas sim num questionamento rec√≠proco entre as formas de agricultura, os modos de transforma√ß√£o, distribui√ß√£o e, claro, de consumo, que a agricultura urbana pode desempenhar. um papel de "catalisador" de transforma√ß√Ķes do sistema alimentar global. Falo de reciprocidade porque tamb√©m √© necess√°rio que os "novos agricultores urbanos" e os urbanos em geral parem de acreditar que est√£o autorizados a definir para os outros o que √© bom e bom, sem saber: o mundo agr√≠cola sofre de uma incr√≠vel ignor√Ęncia (constrangimentos t√©cnicos, esfor√ßos feitos, cuidado dado √†s culturas e animais por agricultores "cl√°ssicos") e atrav√©s de formas de agricultura urbana, que tamb√©m podem mudar √© este grau de conhecimento sobre outras formas fazenda.

Projetos imobiliários que fornecem espaços cultivados (telhados, terrenos, paredes...) se desenvolvem, são inaugurados aqui e ali: é um promotor de marketing, um golpe de mídia política ou uma realidade trazida desenvolver? Os especialistas como você estão associados a esse tipo de projeto para que sejam sustentáveis?

Parece que hoje é um passo necessário para os construtores proporem, ao nível de edifícios ou bairros, formas de agricultura urbana. Lembro-me que há menos de cinco anos, alguns fabricantes nos disseram que queriam "inovar", "se destacar" oferecendo esses formulários. Hoje, quem não o faria estaria por trás... Tenho certeza de que continuará porque, mais uma vez, as formas de agricultura urbana correspondem, de fato, às necessidades crescentes do urbano, menos diretamente em termos de comida do que em termos de educação, meio ambiente, vínculo social... Esta é uma das maneiras de tornar a cidade mais habitável e tornou-se uma necessidade.

Sim, n√≥s estamos (√†s vezes, √© claro, nem sempre) associados e √© excitante para n√≥s ver como os "criadores" desses projetos progridem em seu conhecimento das quest√Ķes, em seu conhecimento tamb√©m das formas de agricultura, e tamb√©m Como podemos perceber as limita√ß√Ķes que eles t√™m, como √© dif√≠cil construir a cidade? Quando vemos o que nossas sociedades est√£o fazendo hoje com os m√©todos de constru√ß√£o das cidades desalmadas dos anos 1960, dizemos que √© importante poder ajudar a fazer o contr√°rio.

Os projetos de estufa acima do solo (n√£o-org√Ęnicos) ou "empoleirados" exigem uma t√©cnica sofisticada que n√£o esteja em contradi√ß√£o com a tend√™ncia org√Ęnica, um certo ethos frequentemente lembrado por Pierre Rabhi, a "sobriedade feliz", que seduzir moradores urbanos interessados ‚Äč‚Äčem jardinagem?

Todos os projetos off-ground n√£o s√£o necessariamente "high tech", no sentido de implementar tecnologias caras e "fechadas" √† apropria√ß√£o dos cidad√£os. Todos os projetos de cultura em tanques (e n√£o em terreno cheio) porque um deles est√° no telhado, porque os terrenos est√£o muito polu√≠dos e come√ßando - como se faz no telhado dos res√≠duos agro-org√Ęnicos do solo. cidade, n√£o est√£o em contradi√ß√£o, pelo contr√°rio, com a "sobriedade feliz": certamente, eles n√£o s√£o org√Ęnicos no sentido de que, na verdade, na Fran√ßa, eles n√£o podem ser certificados agricultura org√Ęnica porque eles n√£o t√™m liga√ß√Ķes com solo no lugar, mas eles participam da economia circular da cidade, valorizando seu primeiro recurso, seus res√≠duos (projetos est√£o em andamento hoje para promover saud√°vel e diretamente, urina humana) e que, c √© a sobriedade que est√° se tornando cada vez mais necess√°ria √† medida que as cidades e os problemas de gerenciamento de res√≠duos crescem.

Talvez também porque dá às pessoas que não têm a oportunidade de viver, ou mesmo de se mudar, em lugares bonitos e rurais, para poderem cultivar, comer, para encontrar a natureza (um estudo recente mostra a rápida "invasão" dessas lixeiras no telhado por uma infinidade de insetos e plantas!), encontrar link social, na parte inferior ou superior de suas casas. Todos estes programas de cultura em tanques ao pé do edifício, nos telhados, para edifícios coletivos, em bairros desfavorecidos, eu gostaria que os proponentes de uma feliz sobriedade os valorizassem e os acompanhasse para "reparar" tanto quanto o dano de uma urbanização desumanizante (ver acima). A mensagem de Pierre Rabhi, e tenho certeza de que ele compartilha dessa opinião, não é apenas para "poucos felizes".

Mais formas de alta tecnologia (como os telhados da cidade, por exemplo) tamb√©m podem ter interesses ecol√≥gicos e sociais, como a oferta de produtos locais (incluindo peixes no caso da aquaponia), mas √© √Č claro que √© melhor estabelecer seus impactos ambientais: podemos e como valorizar o desperd√≠cio do calor urbano? Recuperar por exemplo para aquecer uma estufa o calor fatal do centro de dados, escrit√≥rios, empresas? E a quem (e a que pre√ßo) se destinam as produ√ß√Ķes agr√≠colas? Dependendo do contexto urbano, incluindo densidade urbana e clima, a "relev√Ęncia" de colocar as estufas nos telhados ser√° mais ou menos √≥bvia. Mas estabelecer isso requer pesquisa p√ļblica, porque sin√īnimo de independ√™ncia vis-√†-vis os interesses comerciais que podem levar esses projetos e isso √© uma mercadoria muito rara hoje em dia!

horta experimental de Agroparistech

Como o telhado experimental de jardim da Agroparistech foi criado em dezembro de 2011 (foto acima)?

Muito bom! Ele foi o suporte de uma tese defendida em dezembro de 2017 sobre os servi√ßos ecossist√™micos prestados por essas formas de agricultura urbana, tamb√©m serve hoje para aprofundar esse tema em determinados servi√ßos (biodiversidade em particular, a reten√ß√£o de √°gua) como parte de um p√≥s-doutorado, tamb√©m se usa para come√ßar um trabalho original da medi√ß√£o dos efeitos da regula√ß√£o da ilha de calor urbana e mais original ainda, com rela√ß√£o ao IRD (Instituto de pesquisa do desenvolvimento), serve como um local para experimentar novas culturas, ex. culturas tropicais ex√≥ticas, que poderiam tornar-se interessantes para produzir na agricultura urbana (aproveitando este calor urbano) para satisfazer as expectativas das popula√ß√Ķes. de origem africana ou asi√°tica, e al√©m, as necessidades das cozinhas do mundo!

A partir do pr√≥ximo ano, tamb√©m ser√£o testados "novos" res√≠duos org√Ęnicos urbanos, incluindo esses compostos produzidos por setores espec√≠ficos de atividade (a restaura√ß√£o, por exemplo) ou eletromec√Ęnicos dentro das cidades e isso, em conex√£o com novas empresas que desenvolvem essas atividades de economia circular. E √© um lugar muito visitado, n√≥s fortemente favorecemos a educa√ß√£o (jovens de nossas escolas, mas tamb√©m outras forma√ß√Ķes cujos arquitetos, estudantes, estudantes do ensino m√©dio, professores, profissionais da agricultura, etc.). No ano passado, recebemos quase 900 visitantes neste telhado!

Você tem uma agenda lotada, você tem um projeto de agricultura urbana que é particularmente importante para você que deseja apresentar aos nossos jardineiros da Internet?

Uma das minhas favoritas √© a da associa√ß√£o Veni Verdi, que desenvolveu hortas em escolas de Zonas Priorit√°rias de Educa√ß√£o (ZEP) em Paris (incluindo a faculdade Pierre Mend√®s-France nos 20th): este projeto √© muito bonito, em primeiro lugar porque os animadores de Veni Verdi chegaram (para eles!) para cativar jovens universit√°rios mais atra√≠dos por videogames do que tomates a priori (e tamb√©m para professores e a administra√ß√£o das faculdades para superar o p√Ęntano das restri√ß√Ķes administrativas para alcan√ßar estas hortas!) e tamb√©m porque eles desenvolvem t√©cnicas de produ√ß√£o agroecol√≥gicas (pranchas org√Ęnicas em particular), formas de capina originais, eles participar da promo√ß√£o do lixo org√Ęnico da faculdade e porque, organizando o "team building" para as empresas, eles permitem que os gerentes seniores de grandes empresas se encontrem, algo que eles nunca teriam tido a oportunidade de se n√£o, jovens de bairros populares em torno da jardinagem, da galinha, etc. Um exemplo muito bonito do que √© chamado de multifuncionalidade da agricultura urbana.

  • Leia tamb√©m o arquivo em Jardins urbanos crescendo!

Escrito por Nathalie em 19/04/2018

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